cabecalho

Antes de plantar, informe-se sobre a altura da árvore, as raízes, o tamanho da copa, se solta folhas ou não, se é tóxica ou não...
Evite que a muda toque a fiação ou as construções. No lugar certo, ela crescerá bela e saudável.

Elas crescem mais facilmente, são mais adaptadas ao clima, exigem menos cuidados e não criam riscos de infestar ou desequilibrar a paisagem local.

As pequenas mudas precisam de água, adubo e cuidado. Não se esqueça também de proteger as grandes árvores antigas.

As raízes da árvore também precisam respirar. Ao invés de cimentar a base da árvore até o tronco, crie um pequeno jardim em torno dela.

Em um vaso grande, de barro (para as raízes respirarem), você pode ter: Árvore-da-felicidade, Fícus, Jabuticaba, Pitanga, Primavera, Laranjinha Kin-kan, Acerola, Ameixa ou até Bananeira. Cuide para que o vaso receba adubo e um pouco de sol.

Dorothy Maclean

Mensagens das grandes árvores


Dorothy é uma dessas pessoas raras, de grande sensibilidade. Abaixo, ela conta um pouco do que lhe aconteceu enquanto vivia na comunidade ecológica de Findhorn, na Escócia:


Para mim, as árvores, e particularmente as grandes, têm um esplendor incomparável com o de outras plantas, elevando minha aspiração, enobrecendo uma parte de mim, estabilizando outra parte, enriquecendo-me o espírito. Viver numa área sem árvores dá-me uma sensação de privação e Findhorn, como outras penínsulas varridas pelos ventos, era quase um deserto. O pinheiro escocês era a única espécie viável ali, e, felizmente, um vizinho já tinha plantado uma pequena sebe dessas plantas.


Minha paixão pelas árvores levou-me a aproximar do pinheiro escocês. Uma sensação forte e sólida distinguia essa árvore de outras plantas.


"Somos os guardiões da Terra em muitos aspectos e os humanos devem fazer parte daquilo que guardamos. Não somos jovens criaturas ativas; somos, de certo modo, como uma escola de filósofos benevolentes com pureza inumana e um grande desejo de servir à humanidade. As árvores são vitais para o homem e para a vida neste planeta, e alguns de nós estão ansiosos por experimentar esse contato com alguns humanos antes que outros destruam o que temos construído".


Depois disso, pude trazer à minha consciência um grupo de grandes árvores.


"Gostaríamos de enfatizar a absoluta necessidade das grandes árvores para o bem-estar da Terra. Isto não só porque nós [as árvores] controlamos em parte as chuvas, mas também porque extraímos radiâncias interiores que são igualmente necessárias à Terra".


Baseado no livro A comunicação com os anjos e os devas, de Dorothy Maclean, Editora Pensamento.



 

A mulher de 30 milhões de árvores

Wangari Maathai – um exemplo para o mundo


Baseado em texto de Claudio Blanc para a revista Aquecimento global (www.editoraonline.com.br)


A primeira mulher africana a ganhar o prêmio Nobel da Paz, em 2004, foi definida como “uma inspiração para qualquer um que esteja trabalhando pelo desenvolvimento sustentável, pela democracia e pela paz”. Wangari Maathai, a mulher em questão, é da cepa dos incansáveis que não medem esforços para atingir um objetivo. E como a meta dela visa o bem comum, sua atuação faz uma diferença enorme. É um exemplo para todos. A bem sucedida campanha que Wangari criou e que tem liderado, o Movimento Cinturão Verde, mobilizou mulheres carentes que plantaram cerca de 30 milhões de árvores. Hoje, o modelo foi copiado por vários países.
E tudo começou de maneira simples, depois que Wangari plantou algumas árvores no quintal de sua casa em 1977. Essa foi a pedra fundamental para a criação do movimento. “A vida é uma jornada – às vezes, agradável, às vezes, dolorosa. O importante é fazer nosso melhor possível, e é isso que tento fazer”, ensina a ambientalista.
Wangari Muta Maathai, nascida em 1940 em Nyeri, Quênia, foi a primeira mulher a obter o título de doutora na África Central e Oriental. Educada nos Estados Unidos e na Alemanha, a chefe da cadeira de Anatomia Veterinária da Universidade de Nairobi – novamente a primeira mulher a deter tal posto na África – foi uma das pioneiras a se posicionar contra o desflorestamento do Quênia. Já na década de 1970 o país havia destruído grande parte da biodiversidade local e reduzido consideravelmente a capacidade das florestas de conservar água, um recurso bastante escasso na região. Para mudar a situação, Wangari iniciou uma campanha pessoal de esclarecimento com grupos de mulheres, sempre batendo na tecla de que mais e mais árvores deviam ser plantadas. Aos poucos, as participantes do movimento começaram a lucrar com o plantio, o qual gerava emprego, combustível, alimentos, abrigo, melhorava o solo e ajudava a manter as reservas de água.
Com pouquíssimos recursos, quase nenhum além da própria vontade e coragem, Wangari foi paulatinamente vencendo os obstáculos. (...) Com o passar do tempo, o Movimento Cinturão Verde começou também a mobilizar campanhas sociais com foco na educação, nutrição e outros temas de importância para as mulheres. Em 2006, Wangari tornou-se ministra do meio ambiente e sua militância pacífica pela recuperação das florestas africanas foi reconhecida mundialmente. (...) A fórmula da preservação de Wangari é bastante simples. Ela propõe, para salvar o planeta, que todos pratiquemos os “quatro erres”: reduzir, reutilizar, reciclar e reparar.


Para saber mais:
www.greenbeltmoviment.org - site oficial do Movimento Cinturão Verde

 

A importância de plantar e proteger as árvores

Dalai Lama


Em diversas ocasiões, tenho comentado a importância de plantar árvores tanto na Índia, o nosso lar atual, como no Tibet. Hoje, como um gesto simbólico, estamos realizando uma cerimônia de plantio de árvores aqui no assentamento. Afortunadamente, o movimento para um compromisso mais profundo com a proteção ambiental através do plantio de árvores novas e de cuidar das existentes, está crescendo rapidamente em todo o mundo. No nível global, árvores e florestas estão muito ligadas aos padrões climáticos e também à manutenção de um equilíbrio crucial na natureza. Portanto, a tarefa da proteção ambiental é uma responsabilidade universal de todos nós. Penso que é extremamente importante para os tibetanos que vivem nos assentamentos não só ter um grande interesse pela causa da proteção ambiental, mas também em implementar este ideal em ações de plantio de novas árvores. Assim, estaremos fazendo um gesto importante para o mundo em demonstrar as nossas preocupações globais e, ao mesmo tempo, fazer a nossa própria pequena, mas significativa contribuição à causa.
Se olharmos ao redor, podemos agora ver que aquelas casas nos monastérios e em vários assentamentos onde as pessoas plantaram árvores frutíferas, agora apreciam um grande benefício como conseqüência de seus atos. Em primeiro lugar, se houver uma árvore em seu quintal, isto cria uma ambiente de beleza natural e serenidade. É óbvio que também podemos comer as frutas da árvore e sentarmos sob a copa, apreciando uma sombra agradável. De você, o que se espera é um pouco de paciência para a árvore crescer.
Finalmente, gostaria de fazer uma sugestão a respeito do uso de suas terras no assentamento. Neste assentamento vocês já iniciaram um projeto de plantio de árvores. Penso que este é um ótimo plano. Ao plantar árvores frutíferas em suas terras, não só asseguramos que a terra permaneça produtiva, mas também que vocês terão frutas para comer. Em suma, gostaria de enfatizar mais uma vez que é extremamente importante plantar árvores novas e protegeras que já crescem ao seu redor.


Discurso de 6 de dezembro de 1990. Traduzido por Marly Ferreira.


 

Arvorecer, Árvore-ser

Carlos Solano


Pois me contava Seu Antônio, no meio daquele quintalzão, no meio de latas e latinhas plantadas, cheias de cheiros e segredos, no meio de um bom caneco de café passadinho na hora: “De tudo, o que vale mais é se arvorecer”. Pausa. Arvorecer? O que será isso, meu Deus? Encabulado, e sem querer ofender, me propus discretamente a investigar. E levei a conversa para o lado mais evidente: o das árvores e das madeiras.
“A madeira é viva”, me respondeu. “Só por isto, já merece um afeto”. Uma misturinha de cera de abelha, de carnaúba e parafina, evita o ressecamento, que favorece as pragas. A cera de abelha, que ainda perfuma, imuniza por causa da própolis. Boa para os móveis. O barro de terra de formigueiro e a fumaça do fogo à lenha também a protegem. Por causa do fogo, Seu Antônio jura que “em casa de mulher não entra cupim”. Contra umidade, ele usa sebo animal ou qualquer azeite - de mamona, de dendê. Para a madeira que toma sol e chuva, o óleo de linhaça é um verniz natural, e ainda estimula a cor. Para clarear o assoalho, esfrega-se a folha da piteira, batida e rasgada, junto com a areia do rio. “Mas o mais importante é colher a madeira madurinha (para não ser ofendida pelas pragas), na lua minguante (para recolher o fortificante) e nos meses sem R, de maio a agosto (seca, para não empenar)”.
Mas podemos usar madeira em casa, sem culpa? Cortar árvore não ofende as matas? Levei a conversa adiante, tateando pelos caminhos do “arvorecer”. “Depende”, disse ele. “Árvore se planta, árvore cresce”. Claro, a madeira é o único material renovável... Uma montanha de areia, uma mina de calcáreo (cimento) ou de minério de ferro - elementos tecidos pela natureza ao longo de milênios - não se recuperam jamais. Mas a madeira deve ser certificada com um selo ambiental, que garante o manejo ecológico e a salvação das matas. Confirmam as barbas brancas do Seu Antônio que, se replantarmos, “quando o neto estiver morando na casa que foi da avó, o mato já está refeito”.
Uma luz! Quem sabe “arvorecer” não tem haver com “deixar florescer”, “defender”, ou “manter” as matas? Afinal, faz sentido. A árvore é um dos três componentes fundamentais do entorno humano. Os outros são a pessoa e a casa. Diz o maravilhoso Livro das Árvores (OGPTB), que “a floresta é a maior riqueza que podemos deixar para nossos filhos”.
Sim, deve ser isso! Mesmo porque, hoje, as árvores são os protetores da Terra: impedem a erosão (a destruição do solo e dos mananciais), perfumam e purificam o ar (retendo as partículas poluentes), doam frutos, servem de habitat para animais e pássaros, equilibram o processo de aquecimento global (absorvem dióxido de carbono e devolvem à atmosfera vapor d’água e oxigênio). As árvores ainda nos favorecem criando lugares de estar (sob uma copa frondosa), de passear (uma alameda), de passar (um portal), de proteção (uma cerca), de beleza (o que é fundamental, pois o feio destrói a sensibilidade). Criando lugares de viver, as árvores também cativam os homens que, por sua vez, voltam a amá-las.
Então, num fôlego de coragem, concluí em alto e bom tom: Acho muito importante arvorecer as árvores!
“Como assim?”, foi a resposta. “Arvorecer é arvorejar”.
Diante da minha perplexidade, ele se compadeceu:
“Al-vo-re-cer ou al-vo-re-jar. Alvejar, tornar alvo, amaciar, abrandar, embrandecer o coração empedernido. Isso vale mais do que tudo”.
Vale mesmo. Mas cá para mim, arvorecer ainda tem – e sempre terá - tudo haver com árvore. Arvorecer é “árvore-ser”. Pois não precisamos “árvore-ser” o coração e parar com esta mania de dominar a natureza? Não precisamos plantar mais árvores - seja em vasos, no jardim, na calçada ou no sítio - como um ato a favor da vida? “Árvore-ser” é saber que vivemos em uma árvore, ou no único país do mundo que tem um nome de árvore: Pau Brasil. “Árvore-ser” é vestir o verde da nossa e de todas as bandeiras.
Pois não é que arvorecer é mesmo tudo o que precisamos? Estão aí os cabelos e as barbas brancas do Seu Antônio para comprovar.



OGPTB – Organização Geral dos Professores Ticuna Bilíngües:
Caixa postal 0023 – Benjamim Constant, AM. CEP.: 69.630-000


Texto publicado na revista Bons Fluidos, Editora Abril.

 

A magia das árvores

Sandra Siciliano


As florestas repletas de árvores de todas as formas, tons, tamanhos e idades são mais do que lugares mágicos. São reservatórios de energia da natureza, além de serem os pulmões do planeta.
Árvores fazem a ligação Céu e Terra.

Para todos os povos antigos e primitivos elas foram e são sagradas. A floresta é um local ideal para a pratica da magia. Cada tipo de árvore possui um tipo de poder especial. Todas as árvores, exceto as venenosas, que são poucas, têm o poder da cura.

Segundo Rudolf Steiner há os espíritos da paisagem, aos quais estão subjugados os espíritos do lugar e da casa. Por isso, todo lugar é sagrado!

Cada árvore tem também seu espírito. Então podemos escolher NOSSA árvore no NOSSO jardim e transformar nosso jardim em um local sagrado. Podemos até ter uma árvore em vaso num apartamento.

Existem árvores que tem uma energia restauradora e de cura muito forte, mas existem outras que podem sugar a nossa energia. Como tudo na natureza, isso não significa Bom ou Ruim, mas que devemos saber para que queremos usar a energia da árvore.

Quando estamos doentes, cheios de energias negativas, precisamos de uma árvore sugadora, mas, se somente queremos recuperar forças, precisamos de uma árvore doadora.

Como reconhece-las? Árvore que não apresenta vegetação debaixo, com nódulos no tronco ou galhos, ou que tenha o tronco retorcido, com certeza é uma sugadora. Mas se ela for robusta, com as cores bem vivas, reta, forte, é uma doadora. Se o solo embaixo da árvore for pedregoso, também é sinal de que ela é uma doadora, pois as pedras são energia cristalizada.

Então, se tivermos algo doentio ou negativo, devemos nos sentar embaixo de uma sugadora, mas depois, embaixo de uma doadora.

Ao passearmos por uma floresta, podemos sentir a energia das árvores nos renovando, nos curando e perceber a nossa energia vital reabastecida.

Citando novamente Rudolf Steiner, “todo ser vivo – plantas, animais e seres humanos - possui não só um corpo físico, constituído de átomos e moléculas, mas também um corpo energético equivalente".

As fotos Kirlian mostram o campo energético de todo ser vivo, inclusive das árvores. A atuação conjunta das energias dos seres vivos é que possibilita a vida da MÃE TERRA.

“Aquele que doa muita energia conscientemente, deve cuidar para que o nível de seu reservatório vital permaneça elevado."

Devemos nos preocupar em limpar as energias negativas adquiridas nas consultas e depois devemos repor a energia vital.

Podemos usar árvores para recuperar nossa energia. Sentados de costas para o tronco da árvore deixamos que sua energia ilimitada flua para nós. É muito bom fazer isto após uma longa caminhada quando precisamos repor energia. Ou mesmo para ajudar num tratamento médico.

Se prestarmos atenção, vemos que quase todos os locais e clínicas de recuperação de saúde e de cura, principalmente de problemas pulmonares, são nas montanhas ou em lugares com muitas árvores.

As árvores são as grandes alquimistas da nossa terra. Por isto, na antiguidade, os rituais e magias eram feitos embaixo delas!

A floresta e as árvores são sempre cheias de magia, estórias e lendas!

Árvores exercem tanto fascínio no homem, que atualmente surgiu um esporte radical - o Arborismo – derivado da necessidade de facilitar, na Europa, os trabalhos de pesquisas.

Na “Aldeia Cocar”, em Cotia - SP, numa extensão de 8.000 m2 existe uma área organizada para este esporte, que consiste em trilhas, passarelas, redes, tirolesas e demais artefatos para a execução de diferentes tarefas com cordas e cabos. que são efetuadas nas copas das árvores de até 12 metros de altura.

Os judeus celebram o “Ano novo das árvores", o TU B´SHVAT, dia do aniversário da criação das árvores e há uma oração para ser dita ao se plantar uma árvore:
“Abençoado és Tu, ó Eterno, Rei do Universo, que criou o fruto da árvore". Na religião judaica as árvores são símbolo da vida, elas dão beleza, fornecem alimento e sombra para as pessoas e animais, enriquecem a terra e ajudam a manter a umidade do solo, além do oxigênio que nos dá vida. Nesta festa, crianças plantam árvores, dançando e cantando músicas sobre árvores e flores. A data desta festa antecede a da primavera. E nesta festa a tradição reza que sejam comidas as frutas associadas à terra de Israel.

O TU B`SHVAT tem o propósito de nos fazer mais conscientes e agradecidos pelas árvores à nossa volta.

Devemos sempre ir até um jardim e agradecer pelas árvores que nos dão oxigênio, sombra e comida.

Árvores possuem um significado especial. Árvores mais velhas, segundo o psicanalista suiço Jung, representam a totalidade de nossa personalidade.

Para os chineses, árvores são símbolos da Primavera, da juventude, da longevidade, da imortalidade e da riqueza.

Os parques e bosques, juntamente com a casa, são componentes essenciais do entorno humano. Eles devem criar verdadeiros espaços sociais. Uma frondosa árvore é um verdadeiro lugar de estar. Duas árvores alinhadas sugerem um portal. Uma fileira indica um caminho a seguir. Um círculo define uma praça. Num bosque uma clareira é o local ideal para reuniões e rituais.

Em nossos jardins públicos ou privados, podemos utilizar as árvores por seu significado, pela sua propriedade terapêutica, pela sua forma, pela cor, pela beleza, por suas flores e frutos.

Mas sempre temos que levar em consideração as condições de plantio, o porte, o clima, o solo, pois, uma árvore deve sempre ser saudável.

Hoje em dia existem estudos científicos de arborização para recuperar áreas degradadas por poluição terrestre (petróleo) e do ar, além de estudos para a utilização de biocombustível derivado de óleos extraídos de frutos (como o pequi), que mesclados ao combustível fóssil, tem a propriedade de melhorar a qualidade do ar que respiramos .

Pesquisando nossas árvores, fiquei fascinada com tantas lendas e estórias, que tenho o prazer em compartilhar algumas.

Até o presente momento, não existe um levantamento formal completo das espécies vegetais conhecidas e usadas pelos nossos indígenas, até mesmo pela dificuldade de catalogar os nomes científicos e os seus correlatos indígenas.

Muitas espécies de plantas usadas por eles foram adotadas pelos ditos povos civilizados, como a seringueira (borracha), as castanhas para produção de óleo, as fibras para a produção de fios e tecidos e a madeira. As principais plantas usadas na industria cosmética e de alimentação já eram conhecidas e usadas pelos índios. Uma grande parte dos medicamentos produzidos hoje tem como base as plantas curativas dos índios. Eles também as usavam para fins curativos e que hoje estão aliados a fins cosméticos (Natura Echos). Uma das formas mais conhecidas de utilização é como corantes. O urucum produz o vermelho forte, o jenipapo o preto, o pau-brasil o vermelho claro, a raiz da bananeira o azul escuro e a pupunha o verde.

Para eles a árvore sempre é sagrada, de cura e de proteção. Cada uma possui sua qualidade!

Outro ponto a ser destacado é a grande ligação das plantas com as religiões afro-brasileiras.

Em Salvador haverá um jardim botânico com as espécies de plantas usadas nos vários rituais das tradições religiosas locais. As aroeiras, as cajazeiras, as gameleiras e irocos terão um espaço permanente, que servirá para pesquisa.

Aqui no Brasil, várias tribos indígenas têm a árvore como a “Mãe” - criadora do mundo. A Samaumeira é a “Mãe da Floresta”. Para os Ticunas, o mundo nasceu dela. Nossas florestas estão cheias de lendas! O curupira, com seus pés virados para trás é o protetor das matas, e vive na Samaumeira. O WÜWÜRU é o dono do buritizal. A cigarra é a mãe do sol.

A Gameleira e a Jurema são as árvores sagradas do Candomblé e da Umbanda.

O Ipê Roxo é a árvore mestra dos Xamãs da América do Sul. Quando procuram por uma erva específica, sentam-se embaixo do Ipê Roxo, meditam e logo sabem o que e onde procurar além de todas as suas propriedades medicinais.

Também existem as lendas da paineira, do guaraná, do açaí, da laranja, etc... A Lenda da Paineira segundo o livro dos florais “Filhas de Gaia” é também contada na região norte, em Belém do Pará.

”Quando a Sagrada Família estava fugindo para o Egito com o menino Jesus, os soldados estavam se aproximando cada vez mais. Neste momento de grande aflição, Maria pediu aos Céus uma ajuda. Então uma grande Paineira que estava no caminho se abriu, a Sagrada Família entrou dentro dela e a árvore os escondeu. Os soldados passaram e não os encontraram. A Paineira protegeu o Menino Jesus e então Ele pôde crescer e nos salvar. Por isso a Paineira foi abençoada, e, desde então, é considerada uma árvore sagrada”. Relato de D. Terezinha, moradora de Pedras Belas, SP.


Nossas árvores sagradas:

A Mãe da Floresta: Samaúma;
O Patriarca da Floresta: Jequitibá Rosa;
O Faxineiro do Ar: Jatobá;
A Mestra dos Xamãs: Ipê Roxo;
A nossa Árvore Nacional: Ipê Amarelo;
A árvore de proteção de nossos Índios e local das cerimônias da Primavera: Ipê Rosa;
A árvore do dinheiro no Candomblé: Abacateiro;
A árvore que garante bons negócios: Caqui;
O símbolo do amor, da abundância e da fertilidade: Romanzeiro;
O símbolo do amor e do casamento: Murta;
As árvores sagradas da Umbanda e do Candomblé: Gameleira e Jurema;
A árvore sagrada da África, que veio para o Brasil com os escravos: Baobá.


Para finalizar, acredito que compartilhando “A Prece da Árvore”, de Walter Rossi, estaremos evocando a dimensão da importância das árvores, tanto para a sobrevivência da humanidade, como para a fluidez das energias que as mesmas podem aportar para cada um de nós, que realmente acreditamos em seu poder mágico.


A prece da árvore, de Walter Rossi


Ser humano,
Protege-me!
Junto ao puro ar
da manhã ao crepúsculo,
eu te ofereço
aromas, flores, frutos e sombra!
Se ainda não te bastar,
curvo-me e te dou
proteção para teu ouro,
pinho para tua nota,
teto para teu abrigo,
lenha para teu calor,
mesa para teu pão,
leito para teu repouso,
apoio para teus passos,
bálsamo para tua dor,
altar para tua oração
e te acompanharei até à morte...
Rogo-te: não me maltrate.

 

Ipê-Amarelo – uma história real

Sandra Siciliano


Derrubado e transformado em poste da rede elétrica, um Ipê Amarelo não se entregou. Rebelou-se contra a condenação, criou raízes no solo e voltou a reinar absoluto esbanjando alegria e a beleza de flor-símbolo nacional. Reconsiderando seu ato, o homem transferiu a rede elétrica para um poste de concreto instalado ao lado. O Ipê agora reina livre de fios. Este honrado Ipê é atração turística de Porto Velho, Rondônia.

 

Árvores, árvores e mais árvores...

Cynthia Frank (Chara)


Nada pode ser mais vital para a vida


Quem já entrou em uma mata coberta de árvores e não saiu dela totalmente renovado, respirando mais fundo? Mais do que dar sombra e beleza, uma árvore proporciona um grande bem-estar, talvez pelo fato de transmitir vigor, serenidade e frescor... Quando em grupo, formando uma floresta ou um bosque de qualquer tamanho, as árvores multiplicam esse poder favorecendo toda a fauna e flora ao redor. Hortas, pomares, jardins, animais e homens. Tudo o que é vida usufrui os benefícios de existir uma mata por perto. As matas são da maior importância para qualquer terra e básicas para o equilíbrio ecológico de todas as regiões. No interior de uma mata desenvolve-se uma verdadeira “cidade” que alimenta e abriga pássaros, animais silvestres e insetos polinizadores como as abelhas que, entre outras funções, impedem a expansão natural de certas pragas e doenças que poderiam causar sérios danos à vegetação vizinha. Além disso, o conjunto de raízes das árvores representa uma garantia contra erosões, protegendo as nascentes de água e ajudando os aqüíferos subterrâneos a permanecerem vivos.
Só esses já seriam bons motivos para se pensar em plantar muitas árvores, principalmente em locais onde elas são extremamente necessárias.

 

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